Perco minhas ideias numa porrada de coisas para escrever aqui, compartilhar sob essa linguagem de blog e a coisa toda e não é de agora. Escrevo diários desde o auge dos sete anos, bilhetes desde os seis, migrei para a rede lá pelos doze quando existia uma possibilidade de se ter algo entre blog e site por um servidor que foge à minha memória. Era quase como um diário escrito pelo computador, com recursos cafonas e precários, mas era quase como um trampo pra mim na época. Minha mãe professora, meu pai metido entre clubes e oficina, meu irmão desde os onze na música...A mim restava a observação e reflexão; quando aquela coisa chamada internet surgiu no idos dos anos 90 na minha casa a história mudou. Aquilo poderia ser um trampo, ou não poderia, ou um tempo ocioso, um espaço, um livro aberto em branco a ser escrito. Não atingi sequer dez visitantes com aquela página, imagino, mas desenvolvera-se ali a primeira experiência que considero literária no que diz respeito à prática.
Não precisava imaginar o meu leitor e chamá-lo a todo instante como fez Machado de Assis, era possível também escrever em letras, imagens, sons e interpretação tal como um Modernista querendo ser Simbolista. Dava também para peregrinar por aí feito um andarilho Beat, entrando e saindo de bares, fotos e tudo o mais do mundo e dali a pouco publicar no livro em branco mais uma página da literatura que pode ser a vida.
Não faço a menor questão de me lembrar qual eram os assuntos e a forma da escrita que eu fazia na época, desnecessário fazer questão da vergonha durante o processo, mas era tudo subjetivo demais, aposto, sem a superficialidade do fato.
A verdade é que como tudo o que aparece a internet ficou meio sagrada demais. Todos têm de estar aqui o tempo inteiro expondo e refletindo pouco, muito pouco.
É como se a produção em série de livros de auto-ajuda tivesse migrado exaustivamente para a internet. De força espiritual à histórias de relacionamentos, tudo é exposto, fotografado, filmado, compartilhado. Parece que a coisa pouca é bobagem, mas tenho lá minhas desconfianças.
Aí acontece que eu fico de saco cheio de tanta informação barata que não faço nada, escrevo e guardo, esqueço, rasgo. É muito autor pra pouca obra.
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