quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Manifestado

Não tenho saco pra informação barata, tampouco pras muito bem pagas. Não faço a menor questão de estar conectada ao mundo vinte e quatro horas por dia da vida que é curta e passa ligeira. Já é um esforço dos diabos me manter conectada em mim todo esse tempo ainda é preciso saber como é que vai o trânsito de Berlim que, meu amigo, não vai fazer eu andar mais depressa. 
Desse jornalismo eu tenho preguiça: essa coisa de chove não molha, o sobe e desce da bolsa em relatos policiais. O que é que fazem esses repórteres o dia inteiro? 'Cê jura que o trânsito em Berlim foi o que de mais interessante te aconteceu para você compartilhar? Ou como diziam há tempos, noticiar? Agora é tudo "compartilhável", vida pessoal vira informação e a opinião fundamentada que é bom nem nas entrelinhas. 
A notícia já vem pronta e não é de agora, mas ora, o que é que custa diversificar?
O Brasil já teve Nelson Rodrigues que botava a discussão no papel, tanto faz se reacionário ou libertador, a dúvida oficial era quem peregrinava entre as linhas. O canalha com causa completa o centenário de existência de suas ideias este ano. 
O jornalismo perdeu a graça porque perdeu a cara. Pode ser o Bonner, o Boris, a Folha ou a Uol: todas as informações são iguais, muito embora as notícias tenham pequenas diferenças. Jornalismo para ser diário tem de ser vivido, tem que ter pé no asfalto, cheiro do tempo. 
Pouco me importa se a Dilma ou o Papa viajou para o Haiti em jato particular com chegada prevista pras nove. Essa gente tá sempre prá lá e prá cá firmando e desatando acordos, abençoando tragédias e não são novos os ofícios. 
Jornalismo pessoal, ou de assessoria como dizem, não faz tempestade no verão. A cabeça fica cheia, quente de sol, mas não faz chover. Não envolve, não evolui. Mas paga bem.

Outros tempos

O tempo só é percebido quando vivido, se lido nos entremeios a coisa se expande. 

Avenida Paulista, São Paulo por K.C


Qual tempo é real? O do céu, da modernidade, do prédio velho, do rapaz de bermuda ou do carro no asfalto? Notícia não tem tempo real, a ânsia pela instantaneidade é dos mídias e não do público, sinto contrariar as teorias.Informação não tem tempo, tem de ser real.

Nenhum comentário:

Postar um comentário