quarta-feira, 18 de julho de 2012


Aqui chove e faz frio enquanto brinco de resta um, é inverno no Brasil e o clima é de eleição. Votem, camarás, que os carajás querem navegar em rio calmo e abundante.
Peço um som, me vem logo sem fala nem discurso que é pra eu não me irritar. A calmaria vem do mar, da água que corre pra lá e pra cá, riacho doce, queda, de gota em gota a água molha o chão seco. Vai brotar semente.
Semente boa dá fruto.

Um som pra distrair, um show achado, um bom achado!

câmbio


quinta-feira, 29 de março de 2012

Muito autor pra pouca obra

Perco minhas ideias numa porrada de coisas para escrever aqui, compartilhar sob essa linguagem de blog e a coisa toda e não é de agora. Escrevo diários desde o auge dos sete anos, bilhetes desde os seis, migrei para a rede lá pelos doze quando existia uma possibilidade de se ter algo entre blog e site por um servidor que foge à minha memória. Era quase como um diário escrito pelo computador, com recursos cafonas e precários, mas era quase como um trampo pra mim na época. Minha mãe professora, meu pai metido entre clubes e oficina, meu irmão desde os onze na música...A mim restava a observação e reflexão; quando aquela coisa chamada internet surgiu no idos dos anos 90 na minha casa a história mudou. Aquilo poderia ser um trampo, ou não poderia, ou um tempo ocioso, um espaço, um livro aberto em branco a ser escrito. Não atingi sequer dez visitantes com aquela página, imagino, mas desenvolvera-se ali a primeira experiência que considero literária no que diz respeito à prática.
Não precisava imaginar o meu leitor e chamá-lo a todo instante como fez Machado de Assis, era possível também escrever em letras, imagens, sons e interpretação tal como um Modernista querendo ser Simbolista. Dava também para peregrinar por aí feito um andarilho Beat, entrando e saindo de bares, fotos e tudo o mais do mundo e dali a pouco publicar no livro em branco mais uma página da literatura que pode ser a vida.
Não faço a menor questão de me lembrar qual eram os assuntos e a forma da escrita que eu fazia na época, desnecessário fazer questão da vergonha durante o processo, mas era tudo subjetivo demais, aposto, sem a superficialidade do fato.
A verdade é que como tudo o que aparece a internet ficou meio sagrada demais. Todos têm de estar aqui o tempo inteiro expondo e refletindo pouco, muito pouco.
É como se a produção em série de livros de auto-ajuda tivesse migrado exaustivamente para a internet. De força espiritual à histórias de relacionamentos, tudo é exposto, fotografado, filmado, compartilhado. Parece que a coisa pouca é bobagem, mas tenho lá minhas desconfianças.
Aí acontece que eu fico de saco cheio de tanta informação barata que não faço nada, escrevo e guardo, esqueço, rasgo. É muito autor pra pouca obra.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Manifestado

Não tenho saco pra informação barata, tampouco pras muito bem pagas. Não faço a menor questão de estar conectada ao mundo vinte e quatro horas por dia da vida que é curta e passa ligeira. Já é um esforço dos diabos me manter conectada em mim todo esse tempo ainda é preciso saber como é que vai o trânsito de Berlim que, meu amigo, não vai fazer eu andar mais depressa. 
Desse jornalismo eu tenho preguiça: essa coisa de chove não molha, o sobe e desce da bolsa em relatos policiais. O que é que fazem esses repórteres o dia inteiro? 'Cê jura que o trânsito em Berlim foi o que de mais interessante te aconteceu para você compartilhar? Ou como diziam há tempos, noticiar? Agora é tudo "compartilhável", vida pessoal vira informação e a opinião fundamentada que é bom nem nas entrelinhas. 
A notícia já vem pronta e não é de agora, mas ora, o que é que custa diversificar?
O Brasil já teve Nelson Rodrigues que botava a discussão no papel, tanto faz se reacionário ou libertador, a dúvida oficial era quem peregrinava entre as linhas. O canalha com causa completa o centenário de existência de suas ideias este ano. 
O jornalismo perdeu a graça porque perdeu a cara. Pode ser o Bonner, o Boris, a Folha ou a Uol: todas as informações são iguais, muito embora as notícias tenham pequenas diferenças. Jornalismo para ser diário tem de ser vivido, tem que ter pé no asfalto, cheiro do tempo. 
Pouco me importa se a Dilma ou o Papa viajou para o Haiti em jato particular com chegada prevista pras nove. Essa gente tá sempre prá lá e prá cá firmando e desatando acordos, abençoando tragédias e não são novos os ofícios. 
Jornalismo pessoal, ou de assessoria como dizem, não faz tempestade no verão. A cabeça fica cheia, quente de sol, mas não faz chover. Não envolve, não evolui. Mas paga bem.

Outros tempos

O tempo só é percebido quando vivido, se lido nos entremeios a coisa se expande. 

Avenida Paulista, São Paulo por K.C


Qual tempo é real? O do céu, da modernidade, do prédio velho, do rapaz de bermuda ou do carro no asfalto? Notícia não tem tempo real, a ânsia pela instantaneidade é dos mídias e não do público, sinto contrariar as teorias.Informação não tem tempo, tem de ser real.

domingo, 22 de janeiro de 2012



Sou um tipo de andarilha do início desse século. Não que eu gaste toda sola de sapato cruzando os cantos destes oceanos, mas tô sempre andando sozinha de um canto pro outro, às vezes no interior, outras praias, ilhas, mato, esses cantos...é como se eu estivesse obrigatoriamente na posição de observadora dos espaços, das coisas todas que existem aqui, ali, mas como estou sempre sozinha sou eu a observada. 
Os animais o tempo todo se arranjam em duplas, famílias, bandos, e eu ímpar, andando só com as coisas que passam pela cabeça. É como um modo de me ocupar enquanto só.
Só não sei até quando esta ideia de observar o teatro dos fantoches de carne vai me animar. 


A foto é minha, a jangada não, a praia é de Pernambuco.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Do alto

Céu que o vento leva,
luz que a nuvem apaga
silêncio em tempo errado.

                                                                          Grito de dentro 
                                                                          pra fora
                                                                          ninguém escuta,
                                                                          faca, lança
                                                                          no peito 
                                                                         a qualquer hora