Cai o pingo d'água
salta de banda
no samba
daquelas cadeiras
Pirueta pelos cachos
em silêncio
toca os olhos
pingo de mágoa
Pingo d'água
sorri aos seios
seus meios
e fins
Pirueta pelos ares
em silêncio
deságua
o pingo
e imaginação
pelo ralo
O amor é uma grande invenção. As mocinhas de saia rodada acreditam de joelhos nas luzes que invadem o grande palco da encenação, as senhoras já casadas esboçam um sorriso saudosista dos tempos em que sonhavam com a grande invenção ao que após trinta anos chamam de companheirismo.
Uma pitada de charme, três colheres rasas de provocações, quatro colheres bem cheias de bom humor e inteligência a gosto. As mulheres exatas ponderam as fórmulas da invenção, é melhor não ligar no dia seguinte, calcinha vermelha no sábado, como se a solidão fizesse sentido na segunda-feira.
Outras, porém, desnudam-se peça a peça diante da grande invenção. Os olhos desvendam o mistério do primeiro ato sem cautelas. As mocinhas de joelhos não se atrevem encarar a invenção, as senhoras já com as vistas cansadas não reconhecem do amor nem a silhueta.
Seguem com um sorriso e brincam até o final do primeiro ato, essas outras mulheres. Saltam de lá para cá, logo tiram os sapatos, sentam à mesa e tiram a invenção para rodar. Essas outras mulheres fingem saber brincar só pelo prazer de inventar.