Sempre
tudo
bem
bem
será possível
doer só
em mim?
A razão pura do coração consome. Não é nenhuma trama de Shakespeare, é vida barata acontecendo aqui e ali o tempo inteiro em diferentes formas, com ou sem estruturas, tudo vai parecendo com amor, paixão a quem busca sonhos em estrelas na madrugada. Pura bobagem, pura bobagem, essa história de vida é pura bobagem desacreditada e eu acredito feito velha resignada em religião, eu acredito.
Vida boa e barata porque agora deu numas de acharem que sou grosseira, no sentido de falar com toda a petulância que me cabe sobre as coisas que penso. Fui criada entre homens meio rudes meio saudosos que pouco diziam, se para escrever martelo os dedos em facas imaginem só falar na efemeridade do pensamento.
Gosto da vida barata, aquela que não marca compromissos porque pode ser que atrase, não chega no horário para coisas que não foram feitas para chegar no horário, ao menos no Brasil e não há quem desminta. A vida que vai e volta feito viagem de trem vagarosa com vento e chuva batendo os minutos, vai e volta de ônibus um tanto sonolenta, voa pelos ares atrás de outros espaços, a vida que vai e volta e vai às vezes não volta.
Conflito dessa vida é que apaixona de leve como lençol fresco em dia de calor, não há quem tire e não sinta o vazio por inteiro. Não é Shakespeare, é a vida acontecendo por vias de sentidos opostos, dispostos, expostos. Vai sentindo, sentido a lugar desconhecido, vai, indo, indo...Não vê e já foi.
Na descida do trem, pés em terras firmes, o gosto da vida, barata ou clássica, mas sentida. A via vai e volta, mãos na sacola, malas e pesos de papel e caneta. A escrita vai e volta, a vida não é Shakespeare, vai e nem se sabe o que é que fica.