quinta-feira, 26 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O bom sujeito

Cabra besta eu mato é logo assim
 Atiro primeiro a interjeição
em cima do sujeito
"Ora, meu rapaz!".
No peito
jogo-lhe o verbo
com faca
lhe enfio adjetivação
                                 Não deixo fuga
                                                    nem perto do refrão
Para as dores do sujeito
tenho a rima que lhe tira
os sapatos do chão

Ao final
com sujeito estraçalhado
e amordaçado
ainda resta a exclamação
É, ou não é nada disso não?


Pílula de cordel 

sábado, 14 de maio de 2011

nota de uma canção

ah, quando um coração
deixa a liberdade
ali morar
deve ser o amor
que brotou uma flor
só

ah, quando uma paixão
deixa um coração
assim ficar
deve ser a flor
que desabrochou
e só

de par
e em dois
eles vão rodar
como uma roda gigante
no ar
fazendo sombra
na beira
do mar

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sou um tipo de escritora fajuta
uma pulha de Nelson Rodrigues
finjo que a vida é poesia
nos intervalos vagos
entre noite-dia

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fujo da morte como o diabo foge da cruz e fujo da vida também que é pra não correr o risco de, deus me livre, perder o pouco que me resta. De deus eu já me livrei, mas essa bendita eternidade me inferniza.

- Mata o caboclo não, sinhô, deixa a vida existir! Gritou seu zé que mora ali bem perto.

Fujo de vagarinho, quase caindo, quase saltando. Pairo entre lá e cá assistindo o dia cair e a noite entrar feito passarinho que esqueceu de voar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Tenho matado de tempos em tempos esse amor que se regenera habilidosamente às escuras sem ruído nem um pio. É que matar dói, disse ao doutor, assim baixinho. Em silêncio vai moendo, moendo miserável o nó que dá. O dia vira duas noites revira o outrora nas entranhas do agora. Moendo, moendo homicídio culposo do amor. 

terça-feira, 15 de março de 2011