Tenho matado de tempos em tempos esse amor que se regenera habilidosamente às escuras sem ruído nem um pio. É que matar dói, disse ao doutor, assim baixinho. Em silêncio vai moendo, moendo miserável o nó que dá. O dia vira duas noites revira o outrora nas entranhas do agora. Moendo, moendo homicídio culposo do amor.
segunda-feira, 28 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Tenho estado incrivelmente sozinha em mim. Tenho tentado escrever o mundo que existe além dos meus olhos ora claros, ora nublados de cinza e água. Tenho dito frases pela metade de sentidos controversos. Tenho o silêncio beirando o desespero introvertido, intravenoso. Tenho tido tempo e espaço para minhas próprias rimas embora no pensamento sequer solto a poesia.
Tenho metido os pés na rua e as mãos na lua. Tenho dado motivos, despertado sentidos outrora adormecidos e tenho sentido. Tenho sentido muito.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
O amor é uma grande invenção. As mocinhas de saia rodada acreditam de joelhos nas luzes que invadem o grande palco da encenação, as senhoras já casadas esboçam um sorriso saudosista dos tempos em que sonhavam com a grande invenção ao que após trinta anos chamam de companheirismo.
Uma pitada de charme, três colheres rasas de provocações, quatro colheres bem cheias de bom humor e inteligência a gosto. As mulheres exatas ponderam as fórmulas da invenção, é melhor não ligar no dia seguinte, calcinha vermelha no sábado, como se a solidão fizesse sentido na segunda-feira.
Outras, porém, desnudam-se peça a peça diante da grande invenção. Os olhos desvendam o mistério do primeiro ato sem cautelas. As mocinhas de joelhos não se atrevem encarar a invenção, as senhoras já com as vistas cansadas não reconhecem do amor nem a silhueta.
Seguem com um sorriso e brincam até o final do primeiro ato, essas outras mulheres. Saltam de lá para cá, logo tiram os sapatos, sentam à mesa e tiram a invenção para rodar. Essas outras mulheres fingem saber brincar só pelo prazer de inventar.
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