O amor é uma grande invenção. As mocinhas de saia rodada acreditam de joelhos nas luzes que invadem o grande palco da encenação, as senhoras já casadas esboçam um sorriso saudosista dos tempos em que sonhavam com a grande invenção ao que após trinta anos chamam de companheirismo. Uma pitada de charme, três colheres rasas de provocações, quatro colheres bem cheias de bom humor e inteligência a gosto. As mulheres exatas ponderam as fórmulas da invenção, é melhor não ligar no dia seguinte, calcinha vermelha no sábado, como se a solidão fizesse sentido na segunda-feira. Outras, porém, desnudam-se peça a peça diante da grande invenção. Os olhos desvendam o mistério do primeiro ato sem cautelas. As mocinhas de joelhos não se atrevem encarar a invenção, as senhoras já com as vistas cansadas não reconhecem do amor nem a silhueta. Seguem com um sorriso e brincam até o final do primeiro ato, essas outras mulheres. Saltam de lá para cá, logo tiram os sapatos, sentam à mesa e tiram a invenção para rodar. Essas outras mulheres fingem saber brincar só pelo prazer de inventar.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
a arte em ser arte
tem a sorte
antes de tudo
ser
arte
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Ela é metáfora
dias de vento e sol
chuva a tardezinha
uma preza de fubá
trigo, farinha
Ela é metáfora
jardim de cores
asas de passarinho
menina-flor
entre espinho
Ela é metáfora
discurso, aposto
música, filme, gosto
roteiro, picadeiro
rima
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
A verdade, o absurdo
sinto
nos ossos saltando
cravados na pele
gritando
prazer e aflito
Se cada gole de euforia
sucumbir olhos
ouvidos
é o dito
querendo ser
grito
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Assim, mudo
trago o mundo
num gole
só
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Nada me traz maior felicidade que o amor
esse desenhar da imaginação
Fechando os olhos
não hei de cometer o pecado da solidão
Não hei de cometer o pecado da paixão
de te suspirar aos céus
tocando-te os sentidos...
Como hei despertar teus sussurros
senão em versos
saídos de mim