quero tanto o hoje
como o homem pensa o amanhã
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
domingo, 7 de agosto de 2011
Os maluco costumam têm orverdose de mil e uma químicas
que eu sonharia em mil e uma noites e nunca chegaria.
Minha overdose é de tristeza. Tristeza profunda. Deveria ser atestado como caso grave,
em qualquer caso. Vi aos redores ao menos cinqüenta rostos felizes, e o seu estava radiante. Radiante, e só eu não radiava nada. Oversadtrip, ou puta tristeza sem fim mesmo essa que me bate e é o caralho.
Tristeza de quem pára para pensar
na tristeza.
E só.
domingo, 31 de julho de 2011
2.1
A solidão machuca porque é calada, esguia, ressentida. Solidão só
silencia o sol, apaga as gotas da chuva, desloca nuvens, mas o dia passa, o dia vai
aos trancos e desencantos
desfazendo
nós em cima
de nós
Solidão só é um soco no estômago
falta ar,
terra é pouca,
penso como um homem do século XXI,
sinto feito uma dama do XVIII,
que diabos fizeram com o tempo
em mim?
Andam meus pensamentos por caminhos
que meu coração nunca pisará
sábado, 30 de julho de 2011
Me divirto falando sobre Caetano Veloso por aí, entre violeiros, bluseiros, e moleques da velha juventude que ainda defendem riffs clássicos, vocalizações experimentais, mas são tão ressentidos com Caetano feito viúva que descobre-se traída. Escutam atentos, até ensaiam uma possível concordância, mas sempre se resignam à traição do velho garotão dos caracóis nos cabelos.
Em geral começo falando de Maria Bethânia, que consegue despertar nos sabichões da world music um sorriso espontâneo; tento passar de forma imperceptível puxando Caetano na conversa e suas inovações musicais no cenário brasileiro. E aí o circo pega fogo dentro de mim. Os olhos carregando barbas mal feitas me condenam, não esbravejam Judas! Judas! Estão todos metidos na filosofia, na existência, literatura e pouco tempo lhes sobram para julgamentos banais, mas me condenam com aqueles olhos de meninos homens da sabedoria na bandeira.
Digo da experimentação em música brasileira, dos ritmos, vocalização, timbre, arrisco a poesia, apelo para a política. O intelectual, o intelectual! Pareço clamar diante de duros xerifes de alguma tribo simbolicamente organizada. Nem um pio, não concordam. Desconfio que não tenham ouvido o Transa de 1972, ou Circuladô de 92, mas na filosofia a desconfiança vale mais que certeza e meia.
Chego nos Doces Bárbaros e os duros xerifes desabam nostálgicos eternamente magoados por Caetano que magoou Tom Zé que não bate bem na cabeça e não magoou ninguém, ao menos não diretamente. Juntam-se em nome do velho gênio maluco como fiéis seguidores que pela moral bravia dos relacionamento entre músicos rejeitam a própria música. E aí que tenho a quase certeza que, de fato, não ouvem Caetano. E não o ouvem porque não aceitam a traição, apesar de estarem metidos na filosofia, na história, literatura, política e música.
Não troco Estudando Samba (1995) nem Todos os Olhos (1973) de Tom Zé por Caetano, tenho manhãs e noites de sobra aos dois. Caso a moral dos rapazes me permita, eis Caetano de 70.
Arte ficial
Um quarto
cheio de arte
ssss, sssoo, sooom!
abstrata,
preta e branca,
arregaçada, colada na parede
artificialmente científico
papel, madeira,
três toras
de tijolos
Abstração humana
animalescas aparências
Arte ficial
hei de errar-te
até morrer?
sábado, 23 de julho de 2011
Bicho solto
No quintal da casa da minha mãe
tem flor do mato,
goiabeira,
coqueiro, romã
Só não tem
Pato,
galinha,
ganso.
A grama é rasteira,
o céu azul
distante,
ao fundo
o balanço
de ninar
de ninar
sonhos
mirabolantes.
Lá,
bicho se cria solto,
molha grama
pra bem-te-vi,
sol aberto
pra borboleta que voa
acolá e
aqui.
No quintal da casa da minha mãe
cabe seu sorriso
de folha de goiabeira
aquele que dá pra ver o céu
entre os taios
das lagartas
que devoram
a folha quase inteira.
domingo, 12 de junho de 2011
Serenata de morte ao amor
Dar um tiro certeiro no meio do peito do amor, afogá-lo num riacho, ou à corte de faca para vê-lo sangrar. São boas as possibilidades, mas hoje eu acordei decidida a matar o amor bem baixinho, em silêncio pra ninguém ouvir.
O amor é uma grande invenção. Um dia um baita sujeito perdido entre os séculos percebeu que sentia um troço estranho. Conversa com um, troca figurinhas filosóficas com outro, carinho daqui, céu e estrela dali e bum: é o amor! Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, e dali a pouco todos estavam amando. Eu te amo daqui, eu te amo dali, oi, bom dia, eu te amo, oi boa tarde eu também te amo. É tanto amor que mal cabe num mundo só. Daí surgiram os amantes dos astros, do cosmos...
O meu plano de morte ao amor é bastante simples: primeiro, como uma boa assassina, vou investigar os costumes desse amor: vou me jogar nos romances para conhecer suas teorias, segui-lo nos bares, praças e esquinas. Vou mandar carta, bilhete, vou abrir um vinho, brindar e fazer poesia. Vou deitar-me com ele na cama, tirar-lhe o chão e fazer folia dia sim dia não. Vou descobrir seus detalhes nos olhos, suas pequenas mentiras na expressão.
Vou descobrir a verdade que me conta, e que conta a ela também, e àquela outra ali que por ventura quiser se aventurar. Ah, esse amor. Vai querer escapar da morte mandando flores, jurando ser eterno; num ato de desespero vai ajoelhar com olhos ingênuos me propondo casamento."Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo!", dirá, mas não darei ouvidos. "Eu quero que o seu amor, meu amor, exploda!"
Mas antes de me calar e acabar com todo esse amor, vamos nos deitar ao chão. E ele dirá que sente muito, e eu direi que sinto muito, que o amor é lindo, mas machuca, e ele dirá que o amor é assim mesmo, só é bom se doer como diz o samba, e eu direi que não, amor nenhum tem que doer, e ele então dirá que o amor é tolo, principalmente por amar.
E então, num sussurro quase calado, mato o silêncio, fazendo juras e serenatas ao amor.
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